Fraude · atualizado em 07/09/2026
Caí num golpe: o que fazer nas primeiras horas
As primeiras horas decidem duas coisas: se o dinheiro pode voltar e se vai sobrar prova. Uma tem prazo curto no banco, a outra depende de você não apagar nada. Veja a ordem certa.
Faça três coisas antes de qualquer outra, e nesta ordem: avise o banco, registre o boletim de ocorrência e pare de apagar coisas. As duas primeiras têm prazo. A terceira decide se vai existir prova daqui a um mês.
Primeiro: o banco, e agora
Se houve transferência por Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução, que permite ao banco bloquear e devolver valores em casos de fraude. Ele depende de acionamento rápido e de o dinheiro ainda estar na conta de destino — por isso a pressa não é exagero.
Ligue para o canal de atendimento do seu banco, registre a contestação e anote o número do protocolo. Se foi cartão, peça o bloqueio e abra a contestação da compra. Guarde o protocolo de tudo: ele é a prova de que você agiu no prazo, e isso importa depois.
Segundo: boletim de ocorrência
Registre, mesmo que pareça inútil. O boletim é o que transforma o caso em ocorrência oficial, é exigido por bancos e seguradoras em qualquer discussão posterior, e alimenta a estatística que faz a polícia enxergar padrão entre golpes parecidos. Na maioria dos estados dá para fazer pela delegacia eletrônica, sem sair de casa.
Terceiro: não apague nada
Este é o passo que quase todo mundo estraga, por vergonha ou por raiva. A pessoa bloqueia o golpista, apaga a conversa e some com o anúncio da tela. Sem isso, o caso vira a sua palavra contra o nada.
- Não bloqueie e não apague a conversa antes de preservá-la. Bloquear pode limitar o que ainda dá para extrair.
- Guarde os comprovantes de transferência, com data, valor e dados do destinatário.
- Preserve o anúncio, o link, o perfil e a página, que costumam sair do ar em poucos dias.
- Anote números, e-mails e chaves Pix usados no contato.
- Não formate o computador nem restaure o celular, se o golpe envolveu acesso remoto ou instalação de algo.
Por que print sozinho não resolve
Print é imagem, e imagem se edita. Numa disputa, a outra parte alega montagem e a alegação é barata. O que dá peso é a autenticação do material: verificar a origem, analisar metadados, procurar indício de edição e documentar em laudo.
Para conteúdo que ainda está no ar — anúncio, perfil, página, publicação — existe um caminho melhor e com prazo: a ata notarial, feita em cartório, que registra oficialmente o que estava publicado naquele momento. É o instrumento certo quando o conteúdo pode sumir, e some rápido.
O que dá e o que não dá para descobrir
Sendo honesto sobre limites, porque muita gente promete o contrário. Dados protegidos por sigilo bancário, fiscal ou telefônico só saem com ordem judicial — ninguém entrega isso legalmente por fora, e quem oferece está cometendo crime ou aplicando outro golpe em cima do primeiro.
O que a apuração técnica alcança é o rastro que ficou exposto: infraestrutura usada no anúncio ou no site, reaproveitamento de imagens e textos entre golpes, vínculos entre contas, padrões de linguagem, e o que os dispositivos envolvidos registraram. Isso costuma bastar para identificar que o mesmo grupo aplicou vários golpes, o que fortalece a investigação oficial e a ação cível.
Se houve acesso remoto ao seu aparelho
Golpe de falso funcionário do banco costuma terminar com um aplicativo de acesso remoto instalado. Se foi o seu caso, o aparelho ou o computador precisam ser examinados antes de qualquer limpeza — é onde está o registro de o que foi acessado, quando, e a partir de onde.
Trocar as senhas é necessário, mas faça isso de outro aparelho, não do que foi comprometido.
Quando vale ir além do boletim
Vale quando o valor justifica, quando há vários lesados pelo mesmo esquema, ou quando você precisa de material técnico para uma ação cível contra a plataforma, o banco ou o próprio autor. Nesses casos o laudo é o que sustenta a tese — e o boletim sozinho, não.
Se o caso não tem caminho técnico, dizemos na primeira conversa. Cobrar por apuração que não produziria resultado útil seria só um segundo prejuízo em cima do primeiro.
Perguntas frequentes
Dá para recuperar dinheiro enviado por Pix num golpe?
Existe o Mecanismo Especial de Devolução, que permite ao banco bloquear e devolver valores em caso de fraude. Depende de acionamento rápido e de o dinheiro ainda estar na conta de destino, por isso avisar o banco é o primeiro passo.
Preciso registrar boletim de ocorrência?
Sim. É o que torna o caso oficial, costuma ser exigido por bancos e seguradoras, e na maioria dos estados pode ser feito pela delegacia eletrônica.
Posso bloquear o golpista?
Só depois de preservar a conversa. Bloquear antes pode limitar o que ainda seria possível extrair.
Vocês descobrem quem é o golpista?
Nem sempre, e ninguém honesto promete isso. Dados sob sigilo bancário, fiscal ou telefônico só saem por ordem judicial. O que a apuração alcança é o rastro exposto, que muitas vezes liga vários golpes ao mesmo grupo.
O anúncio saiu do ar. Perdi a prova?
Não necessariamente, mas ficou mais difícil. Por isso a ata notarial é o instrumento certo enquanto o conteúdo ainda está publicado.